A INAUGURAÇÃO DO AUTÓDROMO DO ALGARVE

Por Alexandre Guimarães

 

Instalado em Lagos na casa do meu tradicional director de corrida, o António Gil, tomei hoje domingo o caminho do autódromo internacional do Algarve e logo fiquei surpreendido com os excelentes acessos já que conheço bem esta zona e os caminhos para aquele local eram precários. Verifiquei pois que havia uma ligação completamente nova só que quem se deslocar no sentido Lagos Portimão e tiver que sair no sentido indicado Autódromo terá que ter o cuidado de circundar a rotunda que encontra logo adiante sem nenhuma indicação e inverter o sentido ou seguirá em sentido oposto ao autódromo. Mas o pior é que pelos visto o acontecimento tomou tais proporções que demorei uma hora e meia a chegar lá e isto com uma linha dupla e continua de carros que seguiam naquele sentido. Interrogava-me como será que alguém com urgência de ali chegar o poderia fazer. Parece que o horário das provas não contam para os pilotos porque sejam quais estes quais forem estes terão que madrugar ou chegarão seguramente tarde com este tipo de congestionamento. Esperemos que tenha sido só na inauguração… Claro que o que todos queremos é mesmo muito publico mas é preciso encontrar estratégias para o ajudar a chegar lá ou perder-se-á a franja de espectadores que não se dispõe a tais maçadas.

Pior ainda é que apesar de existirem  3 parques de estacionamento eles foram  claramente insuficientes apesar das bancadas estarem,  “a olho”, apenas na ordem  dos  50%.

Dirigi-me para a bancada C (€30) no topo da recta da meta e qual foi a minha surpresa quando na Porta 5 a responsável que lá se encontrava me esclareceu que apesar de existir  um guichet e espaço adequado a bilheteira, ali não se vendiam bilhetes e estes só podiam ser adquiridos num dos extremos da bancada principal a aproximadamente um quilometro dali, após o que teria que percorrer igual distancia de regresso à tal porta 5 uma das mais próximas do referido ponto de venda único. Claro que acabei por ficar mesmo na bancada principal (€40) e deparei-me então com um cenário fantástico como se tivesse entrado num Luna-parque através da arquitectura de Estádio de Futebol.

Em boa verdade a estrutura da dita bancada, os elevadores impecáveis, os camarotes, os grumetes com bebidas, sandwichs e outras cortesias que aos mesmos se dirigiam não deixava nada a dever aos ditos estádios que no nosso país se construíram. E parte do Luna-parque tem a ver com o colorido das múltiplas bancadas que dali se observam, as "marjorettes", a dinâmica de sons,  desde os da própria multidão ao  “speaker” , o "flashar" dos écrans gigantes onde se pode seguir  perfeitamente o desenrolar da prova, tudo isto debruado com uma pista que se desenrola ali bem ao alcance dos nosso olhos e que sobe , desce , passa para a esquerda, outra vez para a direita, vira para cima, curva para baixo qual intestino que se pretende caiba numa barriga elegante.

Sem duvida bonito, este circuito tem forçosamente que causar  alguma impressão a quem o visite, não acredito que gere indiferença. É um misto de poço da morte, carrossel e montanha Russa.      

Os bares, vários ao longo do “cavername” da bancada principal e os lavabos que eventualmente poderiam ter mais postos (só 3 para homens e igual número para senhoras) eram todavia apropriados embora isso não impedisse a formação de longas filas para tomar um cafezinho.

As vedações à volta do recinto parecem muito bem delineadas e as portas de acesso às diferentes bancadas bem colocadas para que as pessoas sejam automática e facilmente encaminhadas para os lugares que escolheram. Aliás alem da relva novinha havia muita terra “pintada de verde, isso mesmo!! Deve é ser tinta ecológica mas dever dar fotos aéreas fantásticas

 

 

Enfim eu não consegui ver as corridas todas e tal como eu milhares de outros que só conseguiram  chegar ao autódromo às 11.30 além dos que atrás de mim vinham em duas filas de carros intermináveis. Às 15 horas e tal estava tudo acabado com o show do F1 Toro Rosso que mais parecia um de nós na idade de fazer traquinices mas com acesso a um F1 que penso não ser construído para fazer piões de arranque ao longo da pista como aconteceu.

O problema é que agora a saída dos espectadores não se dá por fluxos como à chegada mas antes sai tudo ao mesmo tempo. Conclusão, engarrafamento monumental e saindo lá para as 16 horas cheguei a Lagos a uns 15 km de distancia às 19 horas….

Mas valeu a pena! Valeu a pena ver que finalmente se voltou a fazer em Portugal  uma obra grandiosa dedicada ao automobilismo de velocidade, valeu também a pena constatar que sem nos apercebermos de rumores quanto a corte de sobreiros, passagens em propriedades privadas, e sem assustar ratos raros ou aves exóticas e os seus habitats, surgiu mesmo uma obra visível e que todos esperamos virá acolher prestigio internacional.

 

Para mim e para os Clássicos falta o teste de fogo que será no próximo fim de semana. Vamos a ver se ninguém enjoa e se os carros aguentam. Lembrei-me muito do seu amigo e meu homónimo Alex. Rebelo. É que esta pista tem muitos SS e RRs como ele gosta e em que é mestre e para alem disso até a recta da meta só o é em projecção porque o seu relevo é no mínimo divertido.

Já agora deixem-me referir que uma das demonstrações que adorei e que pelo que vi toda a gente da bancada principal vibrou aplaudindo sem regatear  foram os voos dos dois aviões, penso que dois Yak 52, antigos aviões de treino do Pacto de Varsóvia, agora muito populares entre os entusiastas de "Warbirds".

 

 É que para além das figuras típicas que realizaram nos ares passaram frequentemente pela recta da meta a um nível inferior à pala da bancada ficando as carlingas e os pilotos mesmo ao nosso nível visual pelo que se divisava perfeitamente os capacetes de couro e óculos tópicos da época, o seu sorriso e acenos, e chegando mesmo por, no fim da recta da meta, copiar a forte descida que o pavimento aí apresenta quase roçando a pista antes de subir. Repetiram esta proeza um, outro, um atrás do outro e até ao lado um do outro rematando com uma passagem lenta ao nível da bancada com uma parte da carlinga corrida para trás e empunhando um pano vermelho fora do avião que me pareceu a nossa bandeira. Ora digam-me lá se era ou não estilo poço da morte…..

Para concluir, segundo me parece, este traçado que pede potencia à saída de tantas curvas lentas e subidas não deverá ser muito favorável ao meu Lotus Elan, mas quem sabe posso estar enganado e pode ser mesmo uma caixinha de surpresas...

 

 

AG